Henry Jenkins e a Cultura da Convergência
O professor e diretor do programa de estudos de mídia comparada do MIT e autor do livro Cultura da Convergência Henry Jenkins, e autor do livro Cultura da Convergência, explora as grandes mudanças que estão ocorrendo no mundo dos negócios com as multiplicações de conteúdos.
Ele fala sobre a questão da convergência, não pelo lado tecnológico, mas como um processo cultural que estimula a participação dos usuários nas decisões que antigamente ficavam restritas aos interesses dos veículos e marcas. No que ele chama de a Cultura do Fã, onde pessoas comuns interagem, modificam e remixam mídias que foram originalmente construídos por produtoras de conteúdo.
Vivemos num mundo onde histórias fluem facilmente através de diversas plataformas midiáticas, num mundo em que fazer mídia é tão importante quanto consumir mídia, num mundo onde as pessoas que conhecemos na internet são tão reais quanto nossos vizinhos.
A convergência refere-se ao fluxo de imagens, idéias, histórias, sons, marcas e relacionamentos através do maior número de canais midiáticos possíveis, um fluxo moldado por decisões originadas tanto em reuniões empresariais quanto em quartos de adolescentes, moldado pelo desejo de empresas de mídia de promoverem ao máximo suas marcas e mensagens e pelo desejo dos consumidores de obter a mídia que quiserem, quando, onde e como quiserem, e por meios ilegais se for impossível por meios legais.
Meios de comunicação de massa exercem um tremendo controle sobre a sociedade. As cinco maiores empresas de mídia dos EUA controlam grande parte da mídia disponível, mas vivemos num mundo onde praticamente não há filtros de informação. Algo em torno de 54% dos adolescentes americanos já produziram algum tipo de mídia.
Dois terços dos adolescentes dos EUA já veicularam mídia que produziram além do circulo de amigos e família. Portanto, há duas visões de mundo bem distintas. Uma delas se baseia no consumo constante e na absorção de mensagens criadas pelos grandes centros midiáticos, e outro é baseada na produção pulverizada de mídia, em que as idéias veiculadas no Youtube são consideradas tão essenciais à cultura quanto aquelas veiculadas em redes de televisão.
Ainda estamos aprendendo a usar plenamente as ferramentas para construir conhecimento. No momento investimos em jogos. Não nas chamadas “atividades úteis”, mas em atividades de diversão. Estamos desenvolvendo habilidades a serem utilizadas mais tarde de formas mais sérias.
Portanto, acessar jogos, comunidades virtuais de fãs, criar blogs ou modificar e remixar mídias possibilitam um processo de aprendizado que salienta nossa atividade em rede, ajuda na formação coletiva de conhecimento e na circulação de idéias através da sociedade.
São habilidades que já estão sendo aplicadas em educação, religião, atividades militares, política e governo. Todos estão aprendendo lições importantes ao buscar entretenimento por meio do uso de computadores.Um membro da comunidade tem ao seu dispor o mesmo saber que a comunidade como um todo, imediatamente, a todo instante.
Por exemplo, em grupos de discussões de fãs ou em grupos de discussões políticas, uma pergunta aparece, alguém logo a responde, e todos da comunidade têm acesso à informação. Portanto, em vez de prepararmos crianças em escolas onde ainda incentivamos o aprendizado autônomo, deveríamos ensinar a elas como participar da produção coletiva do conhecimento, como compartilhar conhecimento, como depender da experiência alheia e fazer com que elas percebam o poder que têm por serem autoridades em algum assunto.
Hoje em dia, há uma explosão de informações. Não é mais possível saber de tudo. Estamos vivendo em tempos de inteligência coletiva, num mundo onde ninguém sabe tudo. Todos sabem algumas coisas. Um membro da comunidade tem ao seu dispor o mesmo saber que a comunidade como um todo, imediatamente, a todo instante.
Eis a raiz de uma sociedade em rede. Por exemplo, em grupos de discussões de fãs ou em grupos de discussões políticas, uma pergunta aparece, alguém logo a responde, e todos da comunidade têm acesso à informação. Portanto, em vez de prepararmos crianças em escolas onde ainda incentivamos o aprendizado autônomo, deveríamos ensinar a elas como participar da produção coletiva do conhecimento, como compartilhar conhecimento, como depender da experiência alheia e fazer com que elas percebam o poder que têm por serem autoridades em algum assunto.
Sofremos na medida em que não sabemos lidar com ela. Atualmente, muitos se sentem inaptos a lidar com o excesso de informações pela incapacidade de absorvê-las todas a tempo, mas isso ocorre por estarmos tentando aplicar uma lógica do homem renascentista a um modelo de informações desenvolvido para ser coletivo e colaborativo.
Talvez um serviço agregador, como o Digg, que identifica a preferência dos usuários e filtra as informações; ou processos deliberados como grupos de discussão. Há várias formas de processar informação. Precisamos aprender como participar plenamente ou seremos soterrados por informações sem sentido.
Mas, hoje, os fãs estão produzindo ativamente. Eles estão contando histórias e divulgando-as on-line, no Japão, fazem seus figurinos e encenam peças na rua; estão editando podcasts; eles se envolvem em discussões críticas na internet; eles estão reinventando os jogos de computador. É o segmento mais criativo da sociedade. Eles já aprenderam a viver dentro dessa sociedade da informação em rede. Eles são o coração da cultura da convergência.
Precisamos partir da premissa de que, em todo processo criativo, o artista constrói sobre a cultura existente. Mas para isso precisamos respeitar a cultura. Precisamos conhecer e identificar as fontes do material que usou. Para mim, a diferença entre remixagem e plágio é que o plágio oculta suas fontes enquanto a remixagem as celebra e as expõe.
Nessa transição pela qual passamos, o uso justo precisa ser defendido. Cada vez mais pessoas se tornando artistas, elas exigem a velha idéia de direito autoral ao utilizar materiais da sua cultura, causando uma disputa sobre quais são os termos que distinguem direito autoral do uso justo.
É um movimento forte, e espero que prospere. O Creative Commons permite que os artistas determinem quais direitos querem manter e quais querem liberar. É baseado num modelo de economia moral em que concordamos nos guiar por princípios éticos na utilização de materiais alheios.
Ainda nos vemos impedidos de usar essa estrutura aberta no conteúdo dos mais populares programas de TV, filmes e livros da sociedade. Em contrapartida, fãs e veículos de mídia independentes começaram a aplicar conceitos como o Creative Commons em conteúdo de grande circulação.
O mundo virtual se encontra, é uma experiência de democracia e liberdade. Cidadãos podem aprender a se expressar coletivamente, individualmente, se respeitando e respeitando direitos autorais.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A aplicação das leis brasileiras
No Brasil as leis são aplicadas de acordo com a importância da pessoa em questão.
Esta semana foi preso pela Polícia Federal um banqueiro famoso junto com outros acusados e após a prisão o Presidente do Supremo Tribunal Federal veio a público dar sua opinião contrária a prisão e já dizendo que daria a liberdade assim que o pedido fosse feito.
Pessoas são presas injustamente e não se vê nenhuma autoridade do judiciário protestar. Há algum tempo a imprensa noticiou que um homem havia sido preso porque retirou uma casca de árvore e uma mulher pegou um ano de prisão por roubar um pote de margarina em um supermercado.
A lei seca está levando muitas pessoas à prisão, mesmo não tendo cometido nenhuma infração e nunca se envolvido em algum ato ilegal. Enquanto isso outras pessoas que tenham avançado o sinal vermelho, feito ultrapassagem em local perigoso, conduzido o veículo em velocidade acima do permitido, tenha ingerido drogas ilícitas não será preso, no máximo terá que pagar multa de trânsito.
Nos últimos anos, muitas figuras importantes foram presas e logo depois libertadas e nunca se viu falar que algum deles tenha sido condenado. A última condenação que se tomou conhecimento foi a do operador do mensalão Marcos Valério que foi condenado a pagar dois salários-mínimos e alguns meses de serviço comunitário e ainda declarou que iria recorrer por achar a pena injusta.
As leis têm aplicação relativa, depende da quantidade e da importância dos advogados contratados para fazer a defesa, quem tiver pouco dinheiro corre o risco de pegar penas mais pesadas.
Vídeo: Leis brasileiras não atendem aos anseios da sociedade
http://tv.estadao.com.br/videos,LEIS-BRASILEIRAS-NAO-ATENDEM-AOS-ANSEIOS-DA-SOCIEDADE,66844,260,0.htm
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Comentários sobre os textos do site observatório da imprensa
A crise dos valores jornalísticos na transição de modelos de produção de notícias
Os problemas atuais enfrentados pela imprensa convencional e pelos projetos de jornalismo na Web se devem à conjuntura de transição de um modelo de comunicação para outro, mais do que a estratégias e equipamentos equivocados.
Claro que indústrias de impressos e audiovisuais como os novos empreendedores digitais cometeram erros e estão pagando por isto. Talvez o maior deles tenha sido encarar as dificuldades atuais como resultado de imperícia ou ignorância.
Estamos vivendo hoje um momento de transição entre um modelo unidirecional, vertical e centralizado de produção de informações para outro multidirecional, horizontal e descentralizado. Como toda transição deste tipo, está presente uma forte dose de incerteza e insegurança, porque não dá para prever com segurança qual será o desfecho da mudança de padrões.
Se é impossível traçar um perfil da atividade informativa no futuro, por outro já temos idéias claras sobre as mudanças de hábitos e valores que estão acontecendo na atividade dos jornalistas autônomos, que não têm vínculos empregatícios.
Tudo muda por conta do surgimento da computação e da internet. Tanto empresários como jornalistas demoram a perceber a profundidade e amplitude das mudanças e o que vemos hoje é uma perplexidade crescente, seguida por um pessimismo contagiante.
A dificuldade em assumir a transição se resume na necessidade de assumir os seus valores, ou seja, de que num momento de incerteza e imprevisibilidade não há mais verdades absolutas. Todos podem ter uma dose variável de razão e que a solução dos problemas vai acontecer pela via da experimentação e reflexão.
Se as indústrias de jornais e audiovisuais, não enxergarem esta realidade ficará difícil entender a natureza da transição, o que complica ainda mais a incorporação de novos valores e rotinas no exercício da atividade informativa.
O pior de tudo é que as iniciativas de distribuir fotografias digitais feitas por pessoas comuns também fracassaram, deixando o mercado totalmente inseguro sobre o futuro desta área do jornalismo visual.
As dificuldades de agências são compreensíveis na medida em que elas cresceram num mercado dominado por poucas empresas. Quando a internet permitiu a distribuição ampla e irrestrita de fotos tiradas com câmeras digitais, a situação mudou radicalmente.
Como as agências dominavam o mercado de fotos de alta qualidade, o impacto inicial não chegou a ser grave. Mas logo em seguida começou a crise nos jornais e revistas dos Estados Unidos e a situação ficou ainda pior, quando em 2005 , fotógrafos profissionais independentes começaram a montar suas próprias agências, operando pela internet.
Três agências online, a Scoopt, Spy Media e a Cell Journalist foram as primeiras a explorar este nicho do mercado, em 2006. Duas delas não duraram mais do que dois anos e a única sobrevivente, a Cell, mudou de ramo. Todas apostaram na possibilidade de adaptar o modelo iStockPhoto para fotos jornalísticas, uma idéia que ainda seduz muita gente mas que não se provou viável financeiramente.
O modelo de agenciamento de fotos produzidas por pessoas comuns assim como o chamado jornalismo cidadão já provaram que funcionam como geradores de redes de colaboradores capazes de produzir excelente material jornalístico, mas até agora não provaram que são sustentáveis economicamente no médio e longo prazos.
A incorporação de milhões de fotógrafos digitais amadores espalhados pelo mundo como fornecedores potenciais de imagens jornalísticas já está produzindo uma avalancha de material visual disponibilizado na web. O que não foi descoberto até agora é se haverá algum tipo de intermediário entre a produção e a publicação de fotos.
Os problemas atuais enfrentados pela imprensa convencional e pelos projetos de jornalismo na Web se devem à conjuntura de transição de um modelo de comunicação para outro, mais do que a estratégias e equipamentos equivocados.
Claro que indústrias de impressos e audiovisuais como os novos empreendedores digitais cometeram erros e estão pagando por isto. Talvez o maior deles tenha sido encarar as dificuldades atuais como resultado de imperícia ou ignorância.
Estamos vivendo hoje um momento de transição entre um modelo unidirecional, vertical e centralizado de produção de informações para outro multidirecional, horizontal e descentralizado. Como toda transição deste tipo, está presente uma forte dose de incerteza e insegurança, porque não dá para prever com segurança qual será o desfecho da mudança de padrões.
Se é impossível traçar um perfil da atividade informativa no futuro, por outro já temos idéias claras sobre as mudanças de hábitos e valores que estão acontecendo na atividade dos jornalistas autônomos, que não têm vínculos empregatícios.
Tudo muda por conta do surgimento da computação e da internet. Tanto empresários como jornalistas demoram a perceber a profundidade e amplitude das mudanças e o que vemos hoje é uma perplexidade crescente, seguida por um pessimismo contagiante.
A dificuldade em assumir a transição se resume na necessidade de assumir os seus valores, ou seja, de que num momento de incerteza e imprevisibilidade não há mais verdades absolutas. Todos podem ter uma dose variável de razão e que a solução dos problemas vai acontecer pela via da experimentação e reflexão.
Se as indústrias de jornais e audiovisuais, não enxergarem esta realidade ficará difícil entender a natureza da transição, o que complica ainda mais a incorporação de novos valores e rotinas no exercício da atividade informativa.
Crise das agências complica a busca de um novo modelo de negócios para o fotojornalismo
A crise no fotojornalismo parece ser mais grave que a dos jornais .O pior de tudo é que as iniciativas de distribuir fotografias digitais feitas por pessoas comuns também fracassaram, deixando o mercado totalmente inseguro sobre o futuro desta área do jornalismo visual.
As dificuldades de agências são compreensíveis na medida em que elas cresceram num mercado dominado por poucas empresas. Quando a internet permitiu a distribuição ampla e irrestrita de fotos tiradas com câmeras digitais, a situação mudou radicalmente.
Como as agências dominavam o mercado de fotos de alta qualidade, o impacto inicial não chegou a ser grave. Mas logo em seguida começou a crise nos jornais e revistas dos Estados Unidos e a situação ficou ainda pior, quando em 2005 , fotógrafos profissionais independentes começaram a montar suas próprias agências, operando pela internet.
Três agências online, a Scoopt, Spy Media e a Cell Journalist foram as primeiras a explorar este nicho do mercado, em 2006. Duas delas não duraram mais do que dois anos e a única sobrevivente, a Cell, mudou de ramo. Todas apostaram na possibilidade de adaptar o modelo iStockPhoto para fotos jornalísticas, uma idéia que ainda seduz muita gente mas que não se provou viável financeiramente.
O modelo de agenciamento de fotos produzidas por pessoas comuns assim como o chamado jornalismo cidadão já provaram que funcionam como geradores de redes de colaboradores capazes de produzir excelente material jornalístico, mas até agora não provaram que são sustentáveis economicamente no médio e longo prazos.
A incorporação de milhões de fotógrafos digitais amadores espalhados pelo mundo como fornecedores potenciais de imagens jornalísticas já está produzindo uma avalancha de material visual disponibilizado na web. O que não foi descoberto até agora é se haverá algum tipo de intermediário entre a produção e a publicação de fotos.
sábado, 6 de junho de 2009
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